
02 Abr dia mundial da consciencialização do autismo testemunho da mãe claúdia
O Mundo é melhor com todos!
Testemunho da mãe Cláudia: Como ajudar as famílias que convivem com o Autismo.
“Mas há quem permaneça firme, presente e interessado. E é essa a melhor forma de ajudar as famílias, que como a minha, convivem com esta realidade.
Abrir a mente, respeitar a diferença, não julgar, não olhar com dó.”
Fica aqui o testemunho completo:
“Lá em casa somos 4: os pais e dois filhos maravilhosamente perfeitos.
O Francisco, com 7 anos, moreno, de cabelo liso, olhos meigos, desafiador, curioso e muito inteligente; e o Lourenço, de 4 anos, de cabelo encaracolado (curto para não dar trabalho), de olhos grandes e doces, de covinhas deliciosas num sorriso sempre fácil, inteligente, não verbal e com AUTISMO.
Características tão comuns como as que encontramos em qualquer outra criança, à excepção do AUTISMO, que é uma característica do Lourenço, mas que nós, família jamais permitiremos que o caracterize.
Recebemos o diagnóstico de PEA do Lourenço quando ele tinha 3 anos, depois de 6 meses de procura e pesquisa entre médicos, escola e terapeutas. Teve um desenvolvimento neuro-típico (pelo menos na altura assim o considerámos) até aos 2 anos e meio.
Nesses primeiros anos de vida, todos os sonhos de família se projectaram, como inconscientemente, qualquer mãe e pai fazem.
Até que o Autismo nos chegou e, por muito que lhe quiséssemos fechar a porta para não entrar no nosso palácio encantado, ele já lá estava… e era do nosso mais pequeno príncipe.
Saltarei a parte mais dura… do luto que se transforma em luta, dos medos que se transformam em Esperança e de tudo aquilo que o Autismo nos traz de negativo, para vos dizer que não há dinheiro, terapia, médico ou intervenção que seja mais poderoso do que o AMOR (neste caso literalmente Incondicional).
E nesse ramo…somos uns sortudos!!
O Lourenço está rodeado de AMOR e isso espelha-se no seu fantástico sorriso e boa disposição: tem os melhores avós do mundo que, apesar da diferente geração, o aceitam e Amam exactamente como é, que caminham ao lado dos seus pais com toda a força e sorrisos; tem o mano Francisco, cuja linguagem só os dois manos conseguem decifrar, que o encoraja e se sente encorajado, sem vergonha ou preconceito; tem os papás que se aguentam firmes diariamente para que sejam sempre felizes; os tios e primas fantásticos, a Escola e todas as pessoas que a envolvem que o tratam normalmente mas com a tolerância que lhe é específica; os terapeutas que se entusiasmam com ele e… alguns amigos que restaram neste caminho.. .e outros que se ganharam e que nos fazem sentir que no final tudo ficará bem.
Há quem se tenha afastado, por não saberem lidar com a situação, ou não quererem perder um pouco de tempo para entender.
Mas há quem permaneça firme, presente e interessado. E é essa a melhor forma de ajudar as famílias, que como a minha, convivem com esta realidade.
Abrir a mente, respeitar a diferença , não julgar, não olhar com dó.
Juntar-se aos jeitinhos do Lourenço, trazer-lhe as pedrinhas da rua que tanto gosta, cantar as música que ele pede, brincar com ele, saltar, sorrir e ser Feliz, como aliás fazemos com todas as crianças, porque acima de qualquer rótulo ou característica, o Lourenço é uma criança.
No fundo, para ajudar é tão simples. Basta ser solícito e que se faça estar, genuinamente presente.
Lembro que lá em casa somos 4: Eu, o pai e os 2 filhos (sem características associadas). Simplesmente… manos Francisco e Lourenço.
Cláudia”